terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Jacu Bird e seus grãos preciosos



Depois de almoçar, dois amigos tomam um café no restaurante perto do trabalho e caem fora. A volta pro trampo é aquela coisa, barriga cheia e sono. O café está presente em quase todas essas horas. Por isso entraram nesse papo:


– Porra... que café horrível!


– Também achei. Ruim pra caralho.


– Bem que podia ser aquele café do cu do Jacu né?


– Como que é?


– Café do cu do Jacu.


– Cara... cala a boca.


– Meu... vai me dizer que você não sabe que o melhor café do Brasil sai do cu do Jacu?


– Tá de brincadeira né?


– Não... o quilo desse café custa 240 conto. É o Jacu Bird Coffee ou Café do Jacu ou Café do cu do Jacu ou café cagado pelo Jacu ou a única coisa que presta que sai do cu do Jacu.


– Tá bom... sim... claro... aí do pau do Jacu sai o “famoso” Jacu Bird Milk?


– Não idiota, falo sério. É produzido no Espírito Santo esse café. É um dos mais caros do mundo. A maior parte da produção do Jacu Bird vai pras melhores cafeterias de Tóquio, Londres, Los Angeles e São Francisco.


– Não sabia que você entendia tanto de cu de Jacu! Já comeu quantos?


– Cara... como você é idiota. Nem de café eu entendo! Mas é que já fui pra Pedra Azul, na fazenda Camocim. É de lá esse café.


– Então por que você nunca me falou sobre?


– Sei lá... também né cara... você toma qualquer café... de boteco... de qualquer coisa...


– Mas cara... por que este café é tão caro? O que esse cu tem de tão especial?


– Porra cara... não sei se é o cu em si... eu sei que o motivo é porque passa por um processo diferente dos tradicionais.


– Ah! Sério... achei que todos passassem por algum cu... mais conhecido como “cuador”... ou algo do tipo... “deCUstador”!


– Não não... falando sério agora! Os grãos do Jacu Bird são colhidos das fezes da ave. O Jacu come os melhores frutos do cafeeiro, os sem defeito e completamente maduros!


– Olha só... que pira cara!


– Pois é... doido né?


– Mas como alguém descobriu essa parada será?


– Então, dizem que alguém soube que o café mais caro do mundo, na Indonésia, é produzido de grãos das fezes do Civeta – um tipo de gato selvagem!


– Puta merda cara... tá... vai me dizer que o café mais caro do mundo chama-se Civeta Cat Coffee?


– Cada pergunta idiota cara. O Kopi Luwak é o café mais caro do mundo.


– E como alguém pôde perceber que o Jacu cagaria tamanha preciosidade?


– Então... isso aí eu não sei também! O cara ficou sabendo essa do gato e ficou prestando atenção em que bicho colhia os grãos de café na sua plantação. Imagino eu!


– Quer dizer que você já o tomou então?


– Já...


– É bom?


– O café é bom.


– E o Jacu?


– Que engraçadão! Cara... o fato é que o Café do Jacu é foda!


– Literalmente foda... uma foda de um Jacu com um grão!


– Pois é... ao contrário da sua boca, nem tudo que sai do cu é bosta...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Para o mundo




Procurando afinar a sintonia com a presença de Oswald de Andrade no percurso que o Modernismo realizou, fui ler algumas páginas de Manuel Bandeira. Aliás, pensava eu no decorrer da leitura quão esclarecedora é a aproximação entre produções literárias diversas, produzidas em tempos próximos: fica-se conhecendo a distância que há entre um e outro, as relações que escolheram desenvolver etc., além de passarmos a conhecer um pouco mais do poeta que se utilizou como referência aproximativa.
O que eu folheava de Bandeira (que Mário de Andrade chamou de o “São João Batista do Modernismo”) era sua Poesia completa e prosa, editada pela Aguilar (reimpressão da 4ª edição, 1983), na sua conhecida apresentação em papel bíblia (que apenas na semana passada pude adquirir, e ainda agora estou maravilhado com a aquisição). E comecei por conferir a introdução geral, que trazia um estudo de Sérgio Buarque de Holanda sobre a obra do poeta pernambucano de “Vou-me embora pra Pasárgada”. O texto de Sérgio (intitulado "Trajetória de uma poesia") é, como se poderia esperar, penetrante e informativo, e a mim trouxe esclarecimento sobre um aspecto crucial da poesia de Bandeira: a “evasão”. Sempre achei desfalcada a explicação dos manuais sobre este tema em Bandeira, acerca do qual o crítico e historiador paulista afirma andar “intimamente associada à sua [de Bandeira] maneira peculiar de exprimir-se e que, no caso, vale antes por um ato de conquista e de superação, do que propriamente de abdicação diante da vida” (p. 19). Imediatamente a seguir, Sérgio Buarque continua a tratar do tema, exercitando agora, também ele, a aproximação de figuras literárias díspares:

“Também não acredito, como o acreditou Mário de Andrade, num dos seus admiráveis ensaios críticos, que represente simplesmente uma cristalização superior do vou-me-emborismo popular e nacional, cujos traços podem ser discernidos através de nossa literatura folclórica. Em Bandeira ela tem sentido profundamente pessoal para se relacionar a uma atitude suscetível de tão extraordinária generalização. Seria talvez preferível ir buscar seu paralelo em exemplos singulares que pode proporcionar de preferência a literatura culta. E ocorre-me, no momento, o de uma peça das mais célebres de um grande poeta que viveu ainda em nossos dias: William Butler Yeats.
Todavia a aproximação, mesmo aqui, não pode ser feita sem extrema cautela. Em Sailing to Byzantium, o poeta, resignado à própria velhice, busca um mundo distante, onde os monumentos sem idade do intelecto não foram e não poderiam ser contaminados pela febril agitação ou pela música sensual das gerações presentes, e onde a própria vida se desgarra das formas naturais para assumir a feitura das criações dos artesãos da Grécia e assegurar a vigília do Imperdor:
[...]
Bizâncio é sagrado asilo, ‘artifício de eternidade’, inacessível aos tumultos vãos da humanidade mortal. Pasárgada é, ao contrário, a própria vida cotidiana e corrente idealizada de longe; a vida é vista de dentro de uma prisão ou convento.”



É o que o crítico chama, utilizando expressões do poeta, de evasão “para o mundo” – o que aliás condiz com o lirismo sórdido do poeta de A cinza das horas.

domingo, 29 de janeiro de 2012

o brasil não é longe daqui





Só sendo brasileiro, isto é, adquirido uma personalidade racial e patriótica (sentido físico) brasileira, é que nos universalizaremos, pois que assim concorreremos com um contigente novo, novo assemblage de caracteres psíquicos para o enrequecimento do universal humano.


[o trecho acima é do Mário de Andrade, em carta a Manuel Bandeira; encontrei-o na Apresentação da poesia brasileira de Bandeira, ou seja, citado pelo próprio Manú (assim chamado em muitas das cartas de Mário); interessava-me comparar as passagens do estudo dedicados a Oswald e a Mário; a diferença é sensível, ficando patente a pouca simpatia (sempre respeitosa) do poetinha pernambucano pelo criador de Pau Brasil, o que não é surpreendente; o título da postagem é lembrança de um título de Flora Süssekind, livro que sempre me deixou curioso, inda agora curiosando estou; o retrato ao lado foi pintado por Portinari]

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

1925



Em carta a Manuel Bandeira de 1925, uma das centenas que Mário de Andrade escreceu ao poeta de Pasárgada, encontro este ps curioso:




"Diga uma coisa. Como você acha melhor: Moçada se amando no imenso Brasil ou do imenso Brasil? Eu gosto mais do."




Não sei dizer a quê o Mário se refere, mas assim mesmo sem um sentido mais articulado, é bonito musical e sugestivo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Batismo mercantil



Oswald de Andrade chamou a atenção certa feita para o fato desta nossa terra ter recebido o nome do produto comercial que primeiro foi explorado pelos portugueses, o pau de tinta ou Pau Brasil. Isto já está no primeiro historiador desta América Portuguesa, Pero de Magalhães Gândavo, em sua História da Província de Santa Cruz (1576), na qual se pergunta:


"Porque na verdade é mais de estimar e melhor soa nos ouvidos da gente cristã o nome de um pau em que se obrou o mistério de nossa redenção que o doutro que não serve de mais que de tingir panos ou coisas semelhantas?"

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Linguagens, códigos e suas tecnologias

Segue abaixo o endereço eletrônico que leva aos PCNEM. O documento em questão trata de outros conhecimentos, além da Língua Portuguesa, que não interessarão às discussões dos Seminários de Pesquisa Aplicada ao Ensino de Literatura Vernácula (HG 063). O trecho que interessa à disciplina vai até a página 24.

domingo, 15 de janeiro de 2012

10 poemas de Augusto dos Anjos



Eis a reunião de 10 poemas de Augusto dos Anjos, com uma pequena nota introdutória de Paulo Franchetti (retirada do site brasiliana USP). Os textos serão utilizados na disciplina Literatura Brasileira III, tendo o poeta paraibano encarnado contradições fundamentais do período Pré-Modernista.